Brasil deve registrar pior índice de crescimento entre países emergentes
O FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou a projeção de crescimento da economia global neste ano. Antes estimado em 3,6% em 2012 e em 4,1% no próximo, o órgão prevê um crescimento de 3,5% e de 3,9%, respectivamente. "Nos últimos três meses a recuperação global, que já não era forte, mostrou mais sinais de enfraquecimento", alerta o relatório que atualiza as projeções econômicas anunciadas em abril. Todas as comparações estão na base ano a ano.
Essas perspectivas incorporam as premissas de que a Europa terá condições de promover um alívio em suas políticas e que esse alívio nas economias emergentes começará a ganhar força. Mas o FMI alerta que claramente os riscos são grandes e que incorporam fatores como atrasos ou ações insuficientes.
As maiores revisões para esse ano ficam por conta do Brasil e do Reino Unido. A expectativa de PIB (Produto Interno Bruto) de ambos foi cortada em 0,6 ponto percentual. Por aqui, a economia deverá avançar 2,5% neste ano, mas ganhará força para 4,6% no próximo, número 0,5 ponto percentual acima daquele de abril.
O órgão internacional alerta que muitos países emergentes perderam força, notadamente o Brasil, a China e a Índia. "Isso parcialmente reflete um ambiente externo mais fraco, mas a demanta doméstica também desacelerou forte em reposta a limitações de capacidade e um aperto monetário no último ano", escreve o FMI.
Também recebe atenção do FMI o aumento na aversão ao risco e as incertezas sobre o crescimento global, que prejudicou o preço das ações e levou a uma saída de capitais destes países e à depreciação de suas moedas.
O corte no Brasil é superior ao de outros emergentes, que viram suas projeções caírem apenas 0,1 ponto percentual neste ano e 0,2 no próximo. Mesmo assim, a projeção do FMI é superior aos 1,9% previstos no Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta manhã. A China deverá crescer 8,0% neste ano, contra os 8,2% que o FMI esperava em abril - mas ainda assim acima da meta do governo chinês, de 7,5%.
Por outro lado, surpreende uma revisão para cima em 0,4 ponto percentual para Alemanha e Espanha. O primeiro país deve ver um salto de 1,0% na economia neste ano, enquanto o segundo deve experimentar uma queda de 1,5%.
Apesar disso, o FMI alerta que a situação europeia continuará precária até que todas as medidas sejam adotadas. A recente deterioração no mercado de dívida soberana serve como alerta que essas medidas devem ser implantadas a tempo e que, junto com o progreso na união bancária e fiscal, estas devem ser as prioridades da Europa, afirma o relatório.
Da infomoney